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IRPJ: o que é, quem deve pagar e como calcular

Por Guto Fragoso, Cofundador e CFO Publicado em 18 fev 2026 9 min de leitura
Neste artigo
Imagem com blocos de madeira exibindo as letras IRPJ, relacionado ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, essencial para empresas brasileiras.

Se você é responsável pela gestão financeira de uma empresa, já sabe que os tributos representam uma fatia significativa dos custos. Entre eles, o IRPJ merece atenção especial — afinal, ele incide diretamente sobre o lucro do seu negócio.

Compreender como esse imposto funciona ajuda você a tomar decisões mais assertivas. A escolha do regime tributário adequado, por exemplo, pode representar uma economia de milhares de reais por ano.

Neste conteúdo, vamos te mostrar tudo o que você precisa saber sobre o IRPJ: desde o conceito básico até o cálculo prático, passando pelo impacto no seu fluxo de caixa e na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) da organização.

O que é IRPJ?

IRPJ é a sigla para Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Trata-se de um tributo federal que incide sobre o faturamento ou lucro de organizações brasileiras com CNPJ ativo. 

A Receita Federal é responsável pela arrecadação e fiscalização, compondo assim o orçamento público federal. A partir disso, financiam-se despesas governamentais, investimentos em infraestrutura e programas sociais.

A base de cálculo do IRPJ varia conforme o regime tributário da empresa. Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real possuem regras específicas, e conhecer essas diferenças é essencial para uma gestão financeira eficiente.

Qual a diferença entre IRPJ e CSLL?

Embora ambos incidam sobre o lucro, IRPJ e CSLL têm finalidades distintas.

O IRPJ financia o orçamento público geral. Já a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), destina-se exclusivamente à Seguridade Social, que inclui previdência, assistência social e saúde pública.

As alíquotas também são diferentes:

TributoAlíquota base
IRPJ15%
CSLL9%

Somados, esses tributos podem consumir até 34% do lucro quando há incidência do adicional de IRPJ. Por isso, é fundamental considerá-los no planejamento financeiro da sua empresa.

Quem deve pagar o IRPJ?

A obrigatoriedade do IRPJ abrange todas as pessoas jurídicas que residem no Brasil. Se a sua empresa possui CNPJ ativo e gera faturamento, você está sujeito a esse tributo.

Empresas obrigadas

São contribuintes do IRPJ:

  • sociedades empresárias e simples;
  • empresas individuais de responsabilidade limitada (EIRELI);
  • microempresas e empresas de pequeno porte;
  • sociedades anônimas;
  • empresários individuais com atividade habitual.

O enquadramento independe do porte da empresa, alterando somente a forma de cálculo. 

Entidades isentas ou imunes

Nem todas as organizações recolhem IRPJ. A legislação prevê imunidade para determinadas entidades sem fins lucrativos. Por isso, estão imunes ao IRPJ:

  • igrejas e templos religiosos;
  • partidos políticos e suas fundações;
  • instituições de educação sem fins lucrativos;
  • entidades de assistência social.

Para usufruir da isenção, essas entidades devem manter o registro regular e aplicar integralmente os recursos em suas finalidades institucionais.

Como funciona a base de cálculo do IRPJ?

A base de cálculo determina sobre qual valor você aplicará a alíquota do imposto. Cada regime tributário possui regras específicas.

Simples Nacional

Se a sua empresa é optante pelo Simples Nacional, o IRPJ está incluído no DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).

Podem optar por esse regime microempresas e empresas de pequeno porte com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões.

A principal vantagem é a simplificação operacional. Você recolhe diversos impostos em uma única guia, o que facilita a gestão financeira e reduz o tempo gasto com obrigações tributárias.

Lucro Presumido

No Lucro Presumido, a Receita Federal estabelece percentuais fixos sobre a receita bruta para determinar a base de cálculo, que deverá aplicar a alíquota de 15% do IRPJ. Os percentuais de presunção mais comuns são:

AtividadePercentual
Comércio, indústria e hospitais8%
Transporte de cargas8%
Serviços em geral32%
Transporte de passageiros16%

Empresas com faturamento anual de até R$ 78 milhões podem optar por esse regime. Ele costuma ser vantajoso para negócios com margem de lucro real superior à margem presumida pela legislação.

Mudanças no Lucro Presumido em 2026

A LC 214/2024 trouxe alterações importantes. A partir de 2026, empresas com receita anual superior a R$ 5 milhões terão os percentuais de presunção elevados em 10% sobre a parcela excedente.

Na prática, uma empresa de serviços que antes calculava o IRPJ sobre 32% da receita bruta passará a aplicar 35,2% sobre a parcela que ultrapassar o valor estabelecido.

Essa mudança afeta cerca de 1,5 milhão de empresas brasileiras. Se o seu negócio fatura entre R$ 5 milhões e R$ 78 milhões por ano, vale reavaliar se o Lucro Presumido continua sendo a melhor opção.

Lucro Real

No Lucro Real, o IRPJ incide sobre o lucro efetivamente apurado no registro, após ajustes legais de adições e exclusões. A apuração pode ser trimestral ou anual, com recolhimentos mensais por estimativa no segundo caso. No geral, ele é obrigatório para:

  • empresas com faturamento anual acima de R$ 78 milhões;
  • instituições financeiras;
  • empresas com lucros ou rendimentos do exterior;
  • negócios que usufruem de benefícios fiscais específicos.

A principal vantagem é a tributação sobre o lucro real. Se a sua empresa opera com margens reduzidas ou enfrenta períodos de prejuízo, a carga tributária pode ser significativamente menor.

Alíquotas do IRPJ e adicional de 10%

A alíquota padrão do IRPJ é de 15% sobre a base de cálculo, mas em alguns casos pode ocorrer a aplicação de uma alíquota adicional. Entenda como funciona a seguir.

Alíquota base de 15%

Toda empresa sujeita ao IRPJ recolhe, no mínimo, 15% sobre sua base de cálculo. Esse percentual se aplica independentemente do regime tributário.

Adicional de 10%

Empresas com lucro mensal superior a R$ 20.000 devem recolher um adicional de 10% sobre a parcela excedente. Nesse caso, estes são os limites por período de apuração:

ApuraçãoLimite para adicional
MensalR$ 20.000
TrimestralR$ 60.000
AnualR$ 240.000

Vale lembrar que o cálculo incide apenas sobre o valor que ultrapassa o limite — não sobre o lucro total.

Exemplo prático de cálculo

Para entender na prática, vamos calcular o IRPJ de uma empresa de serviços no Lucro Presumido com receita bruta trimestral de R$ 500.000:

EtapaCálculoValor
Receita bruta trimestral—R$ 500.000
Base de cálculo (32%)R$ 500.000 × 32%R$ 160.000
IRPJ (15%)R$ 160.000 × 15%R$ 24.000
Base para adicionalR$ 160.000 − R$ 60.000R$ 100.000
Adicional (10%)R$ 100.000 × 10%R$ 10.000
Total IRPJR$ 24.000 + R$ 10.000R$ 34.000

Nesse exemplo, a alíquota efetiva sobre a receita bruta é de 6,8%.

Prazos de pagamento e apuração

O IRPJ pode ser apurado de forma trimestral ou anual. Cada modalidade possui prazos específicos de recolhimento.

Apuração trimestral

Empresas optantes pelo Lucro Presumido realizam apuração trimestral obrigatória. Os períodos encerram-se em:

  • 31 de março;
  • 30 de junho;
  • 30 de setembro;
  • 31 de dezembro.

O pagamento deve ser efetuado até o último dia útil do mês seguinte ao encerramento do trimestre. Você pode parcelar em até três quotas iguais, desde que cada parcela não seja inferior a R$ 1.000.

Apuração anual com estimativa

No regime de Lucro Real, a empresa pode optar pela apuração anual com recolhimentos mensais baseados em estimativas de faturamento. Ao final do exercício, calcula-se o imposto definitivo sobre o lucro real acumulado, sendo que eventuais diferenças entre o valor devido e as antecipações mensais são pagas ou compensadas.

Essa modalidade exige um controle rigoroso para evitar descompassos de caixa ou erros fiscais. A Kamino facilita esse processo ao integrar dados contábeis e gerar relatórios automatizados, garantindo que o acompanhamento das estimativas seja preciso, seguro e totalmente alinhado à estratégia financeira do negócio.

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Como o IRPJ impacta o resultado financeiro da empresa?

O IRPJ representa um dos principais custos tributários das empresas brasileiras. Junto com a CSLL, pode consumir até 34% do resultado antes dos tributos.

Impacto na DRE (Demonstração de Resultado do Exercício)

Na DRE, o IRPJ aparece após o lucro operacional. Ele reduz o resultado líquido disponível para distribuição ou reinvestimento.

Tomando como exemplo, uma empresa com lucro antes dos tributos de R$ 1 milhão terá seu resultado reduzido em aproximadamente R$ 340.000, considerando IRPJ, adicional e CSLL. Com isso, o lucro líquido remanescente será de R$ 660.000.

Essa redução impacta diretamente indicadores essenciais, como a margem líquida e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Por isso, é indispensável integrar o planejamento tributário às suas projeções de resultados, garantindo que as metas estabelecidas sejam realistas e sustentáveis diante da carga fiscal.

Fluxo de caixa e capital de giro

O recolhimento do IRPJ exerce pressão direta sobre o fluxo de caixa, especialmente em apurações trimestrais que concentram valores elevados. No regime de Lucro Real anual, os pagamentos por estimativa podem até superar o imposto efetivamente devido, imobilizando um capital de giro que seria vital para o crescimento das operações.

Para mitigar esse impacto, um planejamento tributário estratégico é essencial para alinhar os desembolsos à realidade financeira da empresa. A utilização de relatórios atualizados em tempo real permite antecipar essas obrigações, garantindo que a estrutura de caixa esteja preparada para absorver os tributos sem comprometer a continuidade do negócio.

Planejamento tributário

A escolha do regime tributário adequado pode gerar economia significativa. Para isso, deve-se realizar simulações periódicas comparando Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Alguns fatores que influenciam essa análise são:

  • margem de lucro efetiva;
  • volume de despesas dedutíveis;
  • atividade econômica;
  • faturamento anual projetado.

Além da escolha do regime, existem estratégias legais que podem reduzir a carga tributária, como incentivos fiscais regionais, aproveitamento de prejuízos fiscais e estruturação societária.

Como a Kamino ajuda na gestão tributária?

Uma gestão eficiente do IRPJ exige visibilidade total sobre o desempenho financeiro do negócio. A Kamino centraliza essa inteligência ao integrar contas bancárias, cartões e relatórios em uma única plataforma, permitindo que você acompanhe o fluxo de caixa e a DRE de forma 100% automatizada, precisa e em tempo real.

Nossa solução oferece funcionalidades estratégicas para o controle tributário, como a projeção de recolhimentos mensais e a conciliação automática, que elimina erros de apuração. Ao gerenciar múltiplos CNPJs em uma visão unificada, você economiza até 72% do tempo em processos operacionais, liberando sua equipe para focar no que realmente importa.

FAQ

O que acontece se a empresa não pagar o IRPJ?

O não pagamento gera multa de mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%, além de juros pela taxa Selic. A empresa fica sujeita a inscrição em dívida ativa e restrições cadastrais. Em casos de fraude, os sócios podem responder pessoalmente.

MEI precisa pagar IRPJ?

Não. O Microempreendedor Individual está isento do IRPJ. O tributo já está contemplado no valor fixo mensal pago pelo MEI, que inclui contribuição previdenciária e ISS ou ICMS.

Como saber em qual regime tributário minha empresa se enquadra?

O regime tributário consta no cartão CNPJ disponível no site da Receita Federal. A opção é feita no início de cada ano-calendário. Você pode alterar anualmente, desde que atenda aos requisitos de cada modalidade.

Qual a diferença entre IRPJ trimestral e anual?

O trimestral é obrigatório no Lucro Presumido, e o cálculo e pagamento do imposto é feito a cada três meses. Já o anual é opção do Lucro Real. Nele são feitos pagamentos mensais por estimativa e apuração do definitivo ao final do exercício.

É possível recuperar IRPJ pago a mais?

Sim. Empresas que recolheram acima do devido podem solicitar restituição ou compensar com outros tributos federais. A compensação é feita via PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) junto à Receita Federal.

Como a reforma tributária afeta o IRPJ?

A Reforma Tributária de 2024 não altera diretamente o IRPJ. As mudanças principais atingem tributos sobre consumo. Contudo, a LC 214/2024 elevou os percentuais de presunção do Lucro Presumido para empresas com faturamento acima de R$ 5 milhões.

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